Cotações de soja abrem quinta-feira com ganhos na Bolsa de Chicago
Os preços da soja voltam ao campo positivo depois de perdas de 17 cents na sessão anterior.
Os preços da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) voltam ao campo positivo na manhã de quinta-feira 02/02, com ganhos de 9 cents, a U$ 15,29/março – depois de perdas de 17 cents na sessão anterior, quando predominaram vendas por parte de fundos e investidores.
De acordo com o analista de mercado Camilo Motter da Corretora Granoeste, de Cascavel/PR, o mercado segue observando a evolução da safra argentina, amplamente afetada por irregularidades climáticas, bem como a demanda chinesa, depois do retorno do feriado de Ano Novo Lunar. Neste ponto, o USDA, logo mais, vai divulgar o volume de exportações da última semana – que pode indicar certa aceleração das compras por parte da China.
Motter ressalta que em relação à Argentina, o adido do USDA no país avalia que a produção de soja vem sofrendo drásticas perdas e pode cair ao nível de 36,0MT, ante 45,5MT previstos pelo USDA no último relatório de oferta e demanda. O mercado considera exageradamente fora da realidade esta projeção.
Ao mesmo tempo, a consultoria Safras & Mercado estima a colheita da Argentina em 42,1MT, um corte de 3,4MT em relação ao mês passado. Na safra anterior, também marcada por estiagem, a colheita alcançou 43,0MT. A área semeada é praticamente a mesma da última campanha, com 16,0MH. Em relação à qualidade, 54% das lavouras são consideradas regulares e ruins – avalia a consultoria.
As exportações brasileiras de soja fecharam janeiro com 0,85MT – informa a SECEX. Com isto, o último ano comercial, iniciado em primeiro de fevereiro/22 e finalizado em 31 de janeiro/23, resultou em embarques totais de 78,12MT, ante 88,5MT da temporada anterior.
Camilo informa que no mercado doméstico, notadamente na origem, as variáveis internas estão pesando de forma decisiva na transferência do preço internacional para o preço em Reais. Neste ponto entram três fatores: câmbio, relativamente pressionado; prêmios, que vieram caindo de forma acentuada, mesmo no período de entressafra, e aumento significativo dos custos de transporte.
Com esta tripla força negativa (que parece estar se esgotando), os preços internos cederam entre 5% e 8% desde o início do ano, mesmo com boa sustentação dos preços em Chicago. Produtores se mantêm recuados; são observados apenas negócios pontuais. Atraso na colheita na maioria das regiões (por excesso de umidade) e falta de chuvas em extensas áreas do Rio Grande do Sul, acabam por deixar o mercado ainda mais vazio.
