Mercados de soja e milho continuam atento a possíveis perdas devido ao clima no Meio Oeste americano
Depois dos acentuados ganhos das últimas semanas e, sobretudo, dos últimos dias, os investidores atuam agressivamente na ponta vendedora, na Bolsa de Chicago nessa quinta-feira, 22/06. Tecnicamente conta também a queda do petróleo e do mau humor dos mercados financeiros.
De acordo com o analista de mercado, Camilo Motter, da Corretora Granoeste de Cascavel/PR em termos fundamentais, o mercado se mantêm atento na evolução do clima nos campos do Meio Oeste e nas possíveis perdas de potencial produtivo ocorridas até agora. O fato é que melhoraram as projeções de chuvas para as regiões mais secas de Illinois, Iowa, Indiana e Minnesota. Mas, as indicações são de precipitações ainda irregulares, com baixos volumes em muitos pontos.
O analista destaca que outro ponto que o mercado está considerando como negativo é o incremento pífio no uso de biocombustíveis promovido pela agência ambiental dos EUA para este e para os próximos anos. O mercado esperava um salto significativo, mas nada disto aconteceu – tanto que o óleo de soja fechou o pregão de ontem com perdas de 4% e, neste momento, opera em nova queda, desta vez superior a 4%.
Os recentes ganhos têm como base a deterioração das lavouras norte-americanas. Segundo o USDA, 54% das áreas se encontram em boas/excelentes condições, queda de 5 pontos percentuais na semana. Na mesma época do ano passado o índice era de 68%. Os três principais estados produtores são os que mais perderam qualidade. Illinois teve queda de 14 pontos na semana, com apenas 33% das lavouras tidas como boas/excelentes; Iowa teve perda de 10 pontos e Minnesota, de 8 pontos.
Mercado doméstico
Hoje, o mercado doméstico tende a se manter mais acomodado; porém, nos últimos dias, tem se mostrado bastante ativo, com suporte vindo de Chicago, que subiu cerca de U$ 2,00 por bushel desde o final de maio. Prêmios e câmbio jogam na contramão e limitam os ganhos. Produtores seguem atentos em relação à evolução da safra norte-americana, onde as lavouras dos principais estados seguem castigadas por estiagem e os primeiros plantios começam a entrar na fase de floração.
Milho
Camilo Motter destaca que após as altas dos últimos dias, o mercado internacional de milho cede no pregão de hoje seguindo as baixas do petróleo, da soja e do trigo. Bem como pela previsão de aumento abaixo do esperado no uso de etanol na mistura com gasolina nos EUA – conforme comunicado da agência ambiental norte-americana.
Mercado doméstico
Internamente, certo atraso na colheita prevalece em muitas regiões – o que acaba promovendo algum suporte para as negociações de lotes disponíveis. No entanto, com a chegada de uma safra cheia e recorde, os preços de paridade internacional (CBOT, câmbio e prêmios) devem prevalecer como indicativo para as negociações. Por esta razão, as recentes altas em Chicago começam a promover ganhos de preço também no mercado doméstico.