NOTÍCIAS DO AGRO > nacional > soja

Soja tenta reagir em Chicago, mas mercado segue atento à guerra

Foto do autor Camilo Motter
Publicado em:
Soja tenta reagir em Chicago, mas mercado segue atento à guerra
Soja tenta reagir em Chicago após forte queda, enquanto no Brasil a volta das tradings e o avanço da colheita movimentam o mercado.

Após forte queda na sessão anterior, contratos da soja registram leve alta em Chicago nesta terça-feira; no Brasil, retomada das tradings e avanço da colheita ajudam a movimentar o mercado

Depois de bater no limite de baixa de 70 pontos na sessão anterior, o mercado da soja opera com leve recuperação em Chicago na manhã desta terça-feira. O contrato maio avança 4 pontos, negociado a US$ 11,60 por bushel, em um movimento técnico após a forte pressão registrada no pregão anterior.

Segundo informações de mercado divulgadas pela Granoeste Corretora, a reação ainda é tímida e ocorre em meio a um ambiente externo que segue carregado por incertezas geopolíticas e preocupações com os reflexos do conflito internacional sobre a economia global.

Publicidade

O mercado sentiu fortemente o impacto da guerra e de suas possíveis consequências sobre o comércio internacional, especialmente em relação ao fluxo de commodities e ao comportamento dos grandes importadores.

Conflito trava expectativas com China e mantém cautela

Um dos fatores que pesam sobre o mercado é a percepção de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem concentrado atenção na intensificação e no possível prolongamento do conflito, deixando em segundo plano as negociações com a China.

Na prática, isso reduz as expectativas de uma retomada mais consistente das operações envolvendo soja entre os dois países, cenário que vinha sendo acompanhado de perto pelos agentes do mercado.

Além disso, o petróleo voltou a operar em alta e se mantém acima de US$ 100 por barril, o que reforça o clima de aversão ao risco e amplia a volatilidade nos mercados globais.

Brasil: tradings voltam ao mercado e colheita avança

No mercado brasileiro, a movimentação ganhou novo impulso com a volta das tradings exportadoras às negociações.

As empresas estavam mais afastadas do mercado por conta do maior rigor na classificação portuária, mas voltaram a atuar depois que o Ministério da Agricultura passou a permitir novamente que empresas privadas realizem a classificação dos grãos.

A medida vale até que haja um novo encontro entre representantes dos governos envolvidos para definir critérios definitivos e aceitáveis de tolerância, especialmente em relação à presença de materiais estranhos e sementes de ervas daninhas.

Com isso, o mercado doméstico volta a ganhar liquidez em um momento importante da comercialização da safra.

Colheita supera média histórica, mas segue atrás do ano passado

De acordo com a Conab, a colheita da safra brasileira de soja alcançou 59,2% da área até o momento.

O ritmo está acima da média histórica, que é de 58,4%, mas ainda abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando os trabalhos já atingiam 69,8%.

Esse comportamento mostra que, apesar do avanço recente, a colheita ainda segue em ritmo mais lento na comparação anual, o que continua influenciando o fluxo de oferta em algumas regiões.

Prêmios e preços seguem no radar do produtor

No mercado de exportação, os prêmios da soja seguem variando conforme o período de entrega.

No mercado spot, as indicações estão entre -40 e -20 pontos. Para maio, a faixa varia de -15 a 0, enquanto para junho os prêmios aparecem entre -5 e 5 pontos. No oeste do Paraná, as indicações de compra giram entre R$ 116,00 e R$ 118,00 por saca.

Já em Paranaguá, os valores estão na faixa de R$ 128,00 a R$ 131,00 por saca, dependendo principalmente do prazo de pagamento, além do local e do período de embarque no caso das negociações no interior.

Segundo a análise da Granoeste, o mercado segue bastante sensível ao cenário externo, mas a retomada das tradings ajuda a dar algum fôlego à comercialização no Brasil.

Mercado segue volátil e dependente do cenário externo

Mesmo com a leve alta em Chicago nesta terça-feira, o mercado da soja continua operando com forte influência do cenário geopolítico e das incertezas sobre o comércio internacional.

A guerra, o petróleo acima de US$ 100 e a falta de avanço nas negociações entre Estados Unidos e China seguem como fatores centrais para a formação dos preços.

No Brasil, a volta das tradings ao mercado e o avanço da colheita ajudam a destravar parte dos negócios, mas o ritmo das negociações ainda depende da evolução do cenário externo e do comportamento dos prêmios nos portos.

Carlos Azevedo Linhares
Cristiano é um executivo muito competente. Já tem um histórico na companhia. Com certeza, a UPL está em boas mãos!

Publicidade
Banner publicitário