NOTÍCIAS DO AGRO > goias > exportacoes-e-importacoes

Goiás pode bater recorde na exportação de carne bovina

Foto do autor Jair Reinaldo
Publicado em:
Goiás pode bater recorde na exportação de carne bovina
Demanda internacional e possível mudança na China impulsionam exportações e preços da pecuária em Goiás

Demanda global firme e possível revisão de cota chinesa elevam preços e abrem espaço para novo ciclo de alta

Com mais de US$ 4 bilhões em exportações brasileiras de carne bovina no primeiro trimestre de 2026, a pecuária de Goiás entra no radar de um possível novo ciclo de alta, impulsionado pela demanda internacional e pelo chamado “fator China”. O estado, responsável por cerca de 12,5% dos embarques nacionais, já soma US$ 496,7 milhões em vendas externas no período, com valorização de 15% no preço da carne, segundo dados do ComexStat.

O volume também cresce. Informações do AgroStat indicam aumento de 20% nas exportações no primeiro bimestre, totalizando 62,2 mil toneladas e receita de US$ 345,4 milhões em equivalente carcaça.

Publicidade

Na prática, o cenário combina preços mais altos e demanda firme, o que melhora a rentabilidade da atividade e estimula o produtor a investir, mesmo diante de custos ainda elevados.

China pode mudar o jogo

Apesar do bom desempenho, o mercado internacional ainda traz incertezas. A China estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para a carne brasileira em 2026, volume inferior ao do ano anterior. No entanto, problemas sanitários no país asiático podem levar à revisão dessa restrição.

Caso a cota seja flexibilizada, o impacto pode ser imediato. A demanda reprimida tende a abrir espaço para um aumento expressivo das exportações brasileiras, com potencial de levar o setor a um dos maiores ciclos da história recente.

Além disso, a redução da produção em países como Estados Unidos e na Europa reforça o protagonismo do Brasil no fornecimento global de proteína bovina.

Oferta restrita sustenta preços

No campo, os reflexos já aparecem. Em Goiás, as escalas de abate giram em torno de 6,8 dias, indicando oferta enxuta diante da demanda aquecida. Esse cenário tem sustentado os preços em níveis elevados.

Entre janeiro e março, o bezerro acumulou alta de 11,91%, chegando a R$ 3.212 por cabeça. Já o boi gordo avançou 10,34%, com o chamado “boi China” atingindo cerca de R$ 350 por arroba nas principais praças do estado.

Para o pecuarista, o momento é favorável, mas exige atenção. O mercado segue altamente dependente do cenário externo, especialmente das decisões da China, o que pode provocar mudanças rápidas nos preços e nas oportunidades de comercialização.

Publicidade
Banner publicitário