Safra de cana soma 673 mi t e mantém força em etanol
Mesmo com queda na produção de cana, Brasil mantém forte desempenho em etanol e açúcar na safra 2025/26
A safra brasileira de cana-de-açúcar 2025/26 está estimada em 673,2 milhões de toneladas, uma leve queda de 0,5% em relação ao ciclo anterior, segundo o 4º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento. Apesar da retração, o país registra a maior produção de etanol da série histórica e a segunda maior fabricação de açúcar já contabilizada pelo órgão.
Mesmo com menor volume de matéria-prima, o desempenho industrial do setor sucroenergético segue robusto. Ao todo, a produção de etanol, somando cana e milho, deve atingir 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8% frente à safra passada.
Na prática, o crescimento é puxado pelo avanço do etanol de milho, que deve alcançar 10,17 bilhões de litros, salto de 29,8% e participação superior a 27% do total produzido. Já o etanol de cana apresenta recuo de 6,9%, estimado em 27,33 bilhões de litros.
Açúcar mantém patamar elevado
A produção de açúcar está projetada em 44,2 milhões de toneladas, leve alta de 0,1% em relação ao ciclo anterior. Mesmo com a limitação na oferta de cana, o volume representa a segunda maior marca da série histórica, ficando atrás apenas da safra 2023/24.
O maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação do adoçante ajudou a sustentar esse nível de produção, estratégia comum em momentos de maior atratividade do mercado externo.
Clima reduz produtividade
A queda na produção de cana é explicada principalmente pela redução de 2,6% na produtividade média nacional, que deve ficar em 75.184 kg por hectare. Condições climáticas adversas, como estiagens, altas temperaturas e até incêndios em 2024, prejudicaram o desenvolvimento das lavouras, especialmente no Centro-Sul.
A retração só não foi maior devido ao aumento de 2,1% na área colhida, que deve alcançar 8,95 milhões de hectares.
No Sudeste, principal região produtora, a safra deve cair 2,2%, totalizando 430,1 milhões de toneladas. Já o Centro-Oeste apresenta crescimento de 3,4%, impulsionado pela expansão de área, enquanto o Sul também registra alta, favorecido pela recuperação da produtividade.
Mercado com suporte no curto prazo
No mercado, a transição para a nova safra tende a manter o etanol relativamente sustentado, principalmente no segmento anidro. Já o açúcar enfrenta um cenário internacional de maior oferta, o que limita altas mais expressivas, embora ainda haja suporte pontual vindo das exportações.
Para o produtor, o cenário reforça a importância da gestão eficiente, já que o clima segue como fator de risco para a produtividade, enquanto o mercado mantém oportunidades, especialmente com o avanço do etanol de milho.