Alta na tarifa da Copel preocupa produtores no Paraná
Entidade paranaense aponta prejuízos no campo e critica qualidade do fornecimento de energia elétrica
A proposta de Revisão Tarifária Periódica (RTP) da Copel em 2026 acendeu o alerta no setor agropecuário do Paraná. O índice médio de reajuste, fixado em 19,2% pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ficou bem acima da inflação registrada em 2025, de 4,26%, gerando forte reação de representantes do campo.
Para uma entidade paranaense, o aumento é considerado abusivo, principalmente diante dos frequentes problemas no fornecimento de energia elétrica no meio rural, que vêm provocando prejuízos recorrentes à produção.
Segundo a entidade, apesar dos investimentos realizados pela distribuidora nos últimos anos, os efeitos positivos não chegaram ao campo. Produtores relatam perdas em atividades como avicultura, piscicultura e produção de leite, além de danos a equipamentos causados por quedas de energia e oscilações na rede.
A revisão tarifária leva em consideração investimentos, custos de transmissão e encargos setoriais acumulados ao longo de cinco anos. Caso seja aprovado, o reajuste deve impactar cerca de 5,3 milhões de unidades consumidoras no Paraná, sendo aproximadamente 311 mil no meio rural.
A avaliação do setor é de que o serviço prestado no campo ainda apresenta falhas significativas, comprometendo diretamente a produção dentro das propriedades. Diante disso, a entidade defende que, em vez de aumento, haja redução da tarifa ou mecanismos de ressarcimento pelos prejuízos acumulados pelos produtores.
Prejuízos recorrentes no campo
Nos últimos anos, produtores rurais de diversas regiões do Estado têm registrado perdas expressivas em função da instabilidade no fornecimento de energia elétrica.
Entre os principais problemas relatados estão a mortalidade de animais, especialmente em sistemas de produção de frangos e peixes, perda de produção leiteira e a queima de equipamentos como motores, bombas de irrigação, climatizadores e resfriadores.
Uma pesquisa realizada em 2024 com 514 agricultores e pecuaristas paranaenses revelou que 85% dos entrevistados estão insatisfeitos com o serviço prestado. Entre os principais motivos estão a falta constante de energia, a demora no atendimento e a oscilação na tensão da rede.
Diante desse cenário, o setor produtivo reforça a preocupação com o impacto de um reajuste elevado aliado à baixa qualidade do serviço, o que tende a ampliar a pressão sobre os custos e a rentabilidade no campo.