Carne bovina bate recorde e sobe 44,8% em dois anos
Oferta limitada de animais e exportações aquecidas impulsionam preços da carcaça bovina em abril
O preço da carne bovina no atacado atingiu recorde histórico real em abril, com a carcaça casada sendo negociada a R$ 25,41/kg. Na média parcial do mês, o valor chega a R$ 25,05/kg, o maior da série do Cepea, iniciada em 2001.
O avanço é expressivo: alta de 4% apenas em abril, 11% em relação ao mesmo período de 2025 e de 44,8% frente a abril de 2024, refletindo um cenário de oferta restrita e demanda aquecida.
Oferta limitada sustenta preços
Segundo o Cepea, a principal sustentação para os preços vem da baixa disponibilidade de animais prontos para abate. Esse cenário reduz a oferta de carne no mercado e mantém as cotações firmes ao longo das últimas semanas.
Ao mesmo tempo, a demanda externa segue aquecida, contribuindo para enxugar o mercado interno e reforçar a valorização da proteína.
Pressão na cadeia e no consumo
Com preços elevados no atacado, o repasse ao varejo se torna mais desafiador, o que pode impactar o consumo doméstico. A alta da carne bovina tende a pressionar o poder de compra do consumidor e estimular a substituição por outras proteínas.
Para a indústria, o cenário também exige atenção, já que a margem pode ficar mais apertada diante da dificuldade de repasse integral dos custos.
Pecuarista se beneficia, mas cenário exige cautela
Na ponta da produção, o momento é positivo para o pecuarista, que se beneficia de preços mais altos. No entanto, a oferta limitada também reflete ciclos anteriores de retenção e ajustes no rebanho, o que exige planejamento para manter a sustentabilidade da produção.
Na prática, o mercado segue firme, sustentado por fundamentos consistentes, mas com desafios ao longo da cadeia, especialmente no consumo interno.
