Tensões globais elevam custos do produtor no RS
Custos de produção sobem no Rio Grande do Sul com impacto de tensões globais, petróleo e câmbio, pressionando margens no campo
As tensões geopolíticas no Oriente Médio voltaram a impactar diretamente o custo de produção no campo no Rio Grande do Sul, interrompendo uma sequência de quedas observada nos últimos meses. É o que aponta relatório divulgado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul.
O Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP) registrou alta expressiva de 4,82% em março, revertendo o cenário de deflação tanto no acumulado do ano, que passou para 4,28%, quanto nos últimos 12 meses, agora em 1,49%.
De acordo com a análise, o movimento está diretamente ligado ao cenário internacional, especialmente aos desdobramentos no Estreito de Ormuz, região estratégica para o transporte global de petróleo. As restrições logísticas e a instabilidade elevaram os custos de insumos essenciais, como fertilizantes e defensivos, além de impactarem fretes e operações dependentes de combustíveis.
No período, a taxa de câmbio apresentou alta de 0,8%, enquanto o preço do petróleo disparou cerca de 39%, ampliando a pressão sobre os custos no campo gaúcho.
Pelo lado da receita, o Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) mostrou alguma recuperação em março, com avanço de 1,78%. O movimento foi puxado principalmente pelo arroz, favorecido pela demanda externa e menor oferta interna. Commodities como boi gordo e trigo também contribuíram para o resultado positivo no mês.
Apesar disso, o cenário ainda é de fragilidade no acumulado. No ano, os preços recebidos pelos produtores seguem em queda de 2,9%, enquanto nos últimos 12 meses a retração chega a 11,91%.
A avaliação indica que, no Rio Grande do Sul, a pressão de custos ao longo da cadeia produtiva continua sendo o principal fator de desequilíbrio, reduzindo a rentabilidade do produtor e exigindo maior atenção à gestão financeira nas propriedades rurais.
